O dia J de João

De sábado para domingo dormi pouco. Estava ansiosa. Antes das 7 já andava em pé a despachar-me. Saímos antes das 9. Eu fiquei logo na maternidade e o papá foi levar uma Teresa muito ansiosa e precupada ("mamã se precisares de mim liga à tia C. que eu venho logo") a casa da tia C.. Havia apenas uma mamã na sala de espera o que me deixou tranquila porque ainda está fresca a memória do dia em que a Teresa nasceu em que não havia salas de parto disponíveis. Entrei para a enfermagem e depois fui fazer o CTG. Tudo tranquilo. Fui ter com a médica e ela lá me observou: tudo igual 3 para 4 dedos de dilatação, colo apagado, etc. Lá me disse que me ia dar entrada para a sala de partos apesar de não estar em trabalho de parto efetivo, e que podia demorar. 

 

O H. chegou com as malas e eu lá subi de elevador para a sala de partos. Começaram a preparar-me e, entretanto, o enfermeiro chama a anestesista para colocar o cateter. Ela chega e começa logo a reclamar porque quando me pergunta se tinha dores eu respondo que não, e ela então resmunga com o enfermeiro porque só a devia chamar quando estivesse com dores. Depois lá pôs o cateter, sempre parva e até me doeu um bocado, e disse que só daria a epidural quando eu tivesse dores. Ficou, então, combinado que assim que as dores tivessem a um nível que eu considerasse elevado para a chamar.

 

Entretanto, com a ocitocina as contrações intensificaram e ficaram mais curtas, mas sem dor. E assim estive das 10 e tal até às 3 e tal: deitada na maca, com contrações, mas a dilatação progredia muito lentamente. Eram aí 3 e meia quando entra uma enfermeira que me diz "eu vou dar aqui uma ajudinha para ver se isto avança". E assim foi feito o primeiro e único toque: descolou-me as membranas e rebentou o saco das águas. Estava antes do toque com 6 dedos de dilatação. Quando ela saiu do pé de mim eram 15.45 e disse "vamos lá ver se o João nos vai deixar lanchar". E deixou. Assim que ela me fez o toque tive uma contração de subir pelas paredes mas a enfermeira disse "aguarde pelas próximas porque esta pode estar a doer-lhe muito porque eu estive lá a mexer". Assim fiz. Cada vez piores e tive nisto aí 10 minutos. Pedi ao H. para chamar a anestesista que demorou 10 minutos a chegar. Chegou começou a preparar a epidural e eu já contorcida em cima da maca disse que tinha mesmo que fazer força. O enfermeiro que, entretanto mudou devido ao turno, observou-me e disse que estava a dilatação completa. Nisto diz para eu tentar aguentar a ver se a epidural fazia algum efeito. Impossível. Eram 16.11 quando nasceu o João, depois de 5 puxões (contados pelo H.) e a chorar a plenos pulmões. Eu quando o ouvi senti uma descarga emocional e chorei, chorei, chorei. Colocaram-no logo em cima do meu peito e assim esteve enquanto estiveram a dar os pontos (que foram daqueles que são absorvidos pelo organismo). Índice de apegar: 9 / 10 / 10. Começou imediatamente a mamar e assim esteve 1.30.

 

Foi um parto completamente diferente do parto da Teresa. O da Teresa, apesar de estar sob o efeito da epidural, foi mais difícil e a recuperação muito mais dolorosa. Desta vez, tive plena consciência que, tal como sempre achei, sem a epidural (ela fez efeito depois) estamos muito mais presentes no parto, a força que fazemos é muito superior, sem comparação possível, porque a dor que sentimos no momento do nascimento é tão insuportável que a força que fazemos transcede-nos. Este foi sem dúvida o parto que desejei.

 

E agora a minha coisa linda com 1 dia de vida...

 

publicado por pipocateresa às 18:24 | comentar | favorito